Um dia às margens do Rio Piracicaba: roteiro completo

Cidade oferece passeio cultural, histórico e gastronômico acompanhado da beleza do Rio Piracicaba

Piracicaba é muito visitada por turistas da região, da capital (São Paulo) e também de outros estados. A cidade tem diversos atrativos, mas o mais famoso é sem dúvida o Rio Piracicaba. Neste post você vai conhecer o roteiro da Rua do Porto, o mais famoso da cidade, com diversas atrações. Vamos lá?

Prepare-se para descer ao lado do Rio Piracicaba em um roteiro que pode levar um dia inteiro. Nossa sugestão é aproveitar bem o dia, vendo as belezas naturais em meio à paisagem urbana. Poucas cidades conseguem oferecer esta composição de forma tão interessante.

Vamos indicar aqui o roteiro descendo, mas é perfeitamente possível fazer ao contrário. Vai do interesse e de onde você começar seu trajeto. Você também pode subir por um lado e descer por outro. O roteiro todo tem cerca de 4 quilômetros de extensão, descendo do elevador até a Rua do Porto. Acrescente mais um quilômetro se quiser chegar até o Parque da Rua do Porto. Lembre-se que este é apenas o trajeto de ida. Prepare-se para a volta a pé ou tente uma alternativa como táxi ou motorista por aplicativo.

Elevador Turístico Alto do Mirante

Elevador turístico permite bela vista panorâmica do Rio Piracicaba
Elevador turístico permite bela vista panorâmica do Rio Piracicaba no trecho entre o Centro e a Vila Rezende (Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)

Como vamos começar da parte mais alta, nosso ponto de partida é exatamente bem lá em cima, do alto do Elevador Turístico Alto do Mirante. Trata-se de uma torre de 24 metros de altura, construída em um braço de terra bem no meio do leito do Rio Piracicaba, na Ponte Estaiada (Caio Tabajara Esteves de Lima). O visual já vale muito a pena. Da plataforma no alto da torre é possível ver parte da extensão do rio que passa entre o Centro e a Vila Rezende, região que marca o nascimento de Piracicaba.

Mas preste atenção: não há como estacionar na ponte. Se você for de carro, deve parar cerca de 200 a 300 metros de distância do elevador e chegar a pé. Mas fique tranquilo, pois a ponte tem passarela para pedestres. Mesmo assim, é bom tomar cuidado no acesso a ela, já que é bastante movimentada. Há semáforos nos cruzamentos que ajudam, mas não há uma atenção especial aos pedestres.

Importante

O elevador só funciona aos sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30. Portanto, se seu passeio for num dia de semana, vai ter que deixar esta bela vista para outra oportunidade.

Se quiser mais informações, ou agendar grupos, o telefone é (19) 3403-2635.

Parque do Mirante

Salto do Rio Piracicaba (Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)
Vista do Salto do Rio Piracicaba no Parque do Mirante (Foto: Wanderley Garcia/Da Janela)

Depois de ver a bela vista do Rio Piracicaba e da cidade, nossa sugestão é seguir pela margem direita, do lado da Vila Rezende, onde ocorreu a primeira povoação. Ali você vai atravessar o Parque do Mirante, uma reserva de mata ciliar que é uma das três áreas que compõem o Jardim Botânico de Piracicaba, criado em 2018.

A beleza natural é o forte do lugar, mas há estrutura para se caminhar com facilidade e mirantes para poder ver o rio. De novembro a fevereiro os peixes dão um show à parte, no fenômeno da piracema. Os cardumes sobem o rio e no salto do Piracicaba, precisam enfrentar as pedras e as corredeiras.

Na avenida Maurice Allain, que dá acesso ao Parque do Mirante, há alguns restaurantes. A especialidade ali é o pintado na brasa e é uma boa alternativa à movimentada Rua do Porto.

Logo na entrada do parque há um Centro de Atendimento ao Turista (CAT), instalado no antigo Restaurante do Mirante. Ali há uma parede de vidro com bela vista do rio. Infelizmente, a estrutura não é das melhores, mas nada que comprometa seu passeio. O CAT divide o espaço com o Núcleo de Educação Ambiental (NEA). Ali você pode retirar alguns folders sobre pontos turísticos da cidade e também se orientar com funcionários da SemacTur (Secretaria Municipal de Ação Cultural e Turismo).

Ao lado do CAT está o Aquário Municipal “Ilda Borges Gonçalves”. Passeio interessante com crianças, mas que atrai também muitos adultos. O aquário possui cerca de 3 mil peixes de 80 espécies. Funciona de terça a domingo e feriados*, das 9h às 17h. Nos feriados, consulte o horário pelo telefone (19) 3421-1566.

Descida pelo Parque

Mosaico: a história de Piracicaba de Clemência Pizzigatti (Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)
Mosaico da história de Piracicaba da artista Clemência Pizzigatti e seus alunos (Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)

Depois de passar pelo aquário, é hora de curtir a descida do Parque do Mirante. Uma das primeiras atrações é o painel que conta a história da formação da cidade em um grande mosaico. A obra é da artista plástica Clemência Pizzigatti e seus alunos.

Mas o que atrai mesmo os turistas ao Parque é a vista do Rio. Há vários mirantes construídos ao longo da descida, permitindo diferentes perspectivas do Piracicaba e da cidade. O caminho pelo parque é feito em alamedas que podem ser utilizadas por cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. No entanto, para ter acesso a alguns mirantes, é necessário utilizar escadas, portanto, sem acessibilidade nestes pontos.

Riquezas naturais e o Rio Piracicaba

No caminho por dentro do parque, a vegetação é um grande atrativo, com diversas espécies nativas que compõem a mata ciliar do Rio Piracicaba. Podem ser vistos: jequitibá, figueira, flamboyant, pau d’alho (com seu cheiro característico), cedro-rosa, açoita-cavalos, alecrim-de-campinas e o tamboril. Esta última é chamada de árvore símbolo de Piracicaba pois era usada para construir barcos, inclusive pelo capitão Antônio Corrêa Barbosa, considerado o fundador da cidade. 

Pelo parque corre um canal artificial que forma uma queda chamada por muitos de Véu da Noiva. Entretanto, o que era chamado tradicionalmente de Véu da Noiva era o salto do rio, a grande corredeira que se forma quando o leito encontra as pedras, justamente na altura do Parque do Mirante. Independente do nome, a vista vale a pena, principalmente em épocas de chuva, quando o volume de água fica maior.

O Parque fica aberto 24 horas por dia, todos os dias da semana, embora não seja comumente utilizado para visitação à noite. O recomendável é mesmo passar ali durante o dia.

Descendo pelo Parque, a próxima parada é o Engenho Central, um deslumbrante conjunto arquitetônico do construído no final do século 19.

Engenho Central

Engenho Central (Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)
Engenho Central: palco de diversas atividades culturais (Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)

Ali no Engenho Central tudo se mistura: natureza, arquitetura, história, artes. Uma riqueza que parece não acabar.

Tudo começa com a imponência dos prédios, construídos para a produção de açúcar com a utilização de grandes máquinas em substituição ao trabalho escravo, que chegava ao fim. Com tijolos aparentes, pés direitos altos, muitas janelas, somente a arquitetura do Engenho já vale a pena. Não deixe de ver. Mas há muito mais:

Salão Internacional de Humor de Piracicaba

No Engenho Central acontece anualmente o Salão Internacional de Humor de Piracicaba, um dos mais famosos do mundo e que teve sua primeira edição em 1974. Anote em sua agenda: o salão ocorre de agosto a outubro, mas os dias exatos variam a cada ano. O Salão foi criado como uma forma bem humorada de enfrentar a ditadura. Mas se manteve vivo e cada vez maior mesmo em tempos de democracia. A crítica política e social é uma de suas marcas.

Teatro do Engenho Erotídes de Campos

Inaugurado em 2012, o Teatro Erotídes de Campos, ou simplesmente Teatro do Engenho, é uma bela sala de espetáculos com uma particularidade. Seu palco pode ser utilizado para apresentações dentro da sala como para fora, na praça externa ao galpão onde foi construído. Do lado de dentro, a sala possui 422 lugares.

Espaços diversos

O Engenho Central possui diversos galpões e salas utilizadas para variadas finalidades. Ali estão a sede da SemacTur (Secretaria Municipal de Ação Cultural e Turismo) e o Centro de Documentação, Cultura e Política Negra. E são muitos os eventos que acontecem ali: Paixão de Cristo, Festa das Nações, Rockaipira, MinasFest, além de diversas outras atividades menores e/ou esporádicas.

Você pode conhecer um pouco mais sobre o Engenho Central aqui.

Há três formas para chegar à margem esquerda do rio, onde continuaremos nosso roteiro: a ponte do Morato, próximo à Prefeitura e ao Parque da Rua do Porto, a Passarela Estaiada, que leva à Rua do Porto e a Passarela ou Ponte Pênsil, que leva à avenida Beira-Rio. É esta última que sugerimos em nosso roteiro.

Ponte Pênsil

Local obrigatório para sentir a brisa refrescante do rio e tirar aquela foto que com certeza vai para as redes sociais. Na Ponte Pênsil você fica poucos metros acima do nível da água e tem uma vista privilegiada do Rio Piracicaba. A estrutura em aço e madeira foi construída em 1992 e foi a primeira planejada para o turismo local, ligando o Centro da cidade ao Engenho Central. Apenas três anos antes o complexo do Engenho havia sido declarado de utilidade pública para desapropriação e transformação da antiga fábrica em espaço cultural.

Primeiro descanso à margem do Rio Piracicaba

Chegando à margem esquerda, vale a pena voltar um pouquinho, fazendo o percurso “subindo” o rio. Logo ali vamos encontrar quiosques com sucos, refrigerantes, água de côco, sorvetes e algumas comidinhas. O especial ali são o cural e a famosíssima pamonha de Piracicaba, o “puro creme do milho verde”, como anunciavam os carros de som em diversas cidades do estado. Se você veio a Piracicaba, não pode deixar de experimentar a mais conhecida pamonha do Brasil, não é verdade?

Depois da paradinha para repor as energias e apreciar o rio Piracicaba do outro lado, vale a pena enfrentar uma subidinha e chegar até o Museu da Água. São só 200 metros.

Museu da Água

Museu da Água (Foto: Prefeitura de Piracicaba)
Museu da Água: estação de captação do século 19 hoje é atração turística (Foto: Prefeitura de Piracicaba)

A primeira estação de captação e bombeamento de água de Piracicaba, criada em 1887, hoje abriga um museu que liga a história da cidade ao rio que dá o seu nome. O conjunto arquitetônico incluiu arcos, pisos e paredes de pedra, além de enormes tubulações por onde ainda passam água. Ao lado do Salto do Rio Piracicaba, é mais um dos encantos da cidade quando se trata de belezas naturais e arquitetura antiga.

Depois da visita ao museu, é hora de retomar a descida do rio, agora pela margem esquerda.

Casa do Povoador

Salão interno da Casa do Povoador (Foto: Gloria Cavaggioni / Da Janela)
Salão interno da Casa do Povoador com vista do Rio Piracicaba (Foto: Gloria Cavaggioni / Da Janela)

A próxima parada é a Casa do Povoador, uma antiga construção em taipa bem na margem do rio, que hoje é utilizada como museu e espaço cultural. Você poderá ouvir de alguém que aquela foi a primeira casa de Piracicaba, mas pesquisas indicam que isto não é verdade. No entanto, é o único remanescente original da época em que a cidade deixou o lado direito do rio e passou para a margem esquerda, nisso no final do século 19.

Ali estão algumas obras de Elias dos Bonecos, artista popular da cidade, já falecido. Também há exposições temporárias e apresentações culturais diversas. Vale a pena a visita tanto pelo significado arquitetônico e histórico da casa, como pela beleza da vista do rio a partir de suas janelas. Quer saber mais sobre a Casa do Povoador? Clique aqui

Largo dos Pescadores

Seguindo rio abaixo, você vai encontrar o Largo dos Pescadores, uma ampla praça onde ocorrem diversos tipos de eventos (artísticos, políticos, religiosos). Ali há dois bares e a sede da Irmandade Divino Espírito Santo. Quando há eventos, é comum o espaço ficar lotado. Ao lado, há a rampa que dá acesso ao rio. Muitos turistas levam pequenos barcos e jetskis para passeios nas águas do Piracicaba a partir daquele ponto, logo abaixo do salto.

Um pouco mais abaixo, próximo à Rua XV de Novembro, está o píer para embarque no passeio de barco que leva turistas nos finais de semana e feriados, num circuito de cerca de 15 minutos. Mas isso vamos tratar em outro post. Se quiser conhecer mais sobre o Largo dos Pescadores, clique aqui.

Avenida Beira-Rio

Passarela Estaiada Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)
Passarela Estaiada: acesso da Rua do Porto aos Engenho Central Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)

Daqui em diante, o caminho é plano pelas calçadas que margeiam o rio à sua esquerda. Temos ali bares, lanchonetes e alguns restaurantes. Pela calçada se chega à Passarela Estaiada, de concreto, inaugurada em 2013. É uma alternativa como acesso ao Engenho Central.

Logo adiante, ainda na margem esquerda do rio, começamos a entrar na área conhecida como rua do porto, com seus restaurantes e bares movimentados nos finais de semana. Ali não faltam opções para comer bem e tomar cervejas e cachaças produzidas em Piracicaba.

Você vai encontrar, à sua esquerda, o Casarão do Turismo, com serviço de informações turísticas (aberto apenas aos finais de semana), onde funcionava uma antiga olaria. Ainda hoje há uma bela chaminé de tijolos bem ali na beira do rio. Ao lado há feira de artesanatos que também funciona nos finais de semana.

Dali sai, nos finais de semana e feriados, o Trenzinho Turístico Maria Fumaça, que faz um roteiro de 20 a 30 minutos por vários pontos da cidade. Vale a pena, principalmente para quem está com crianças. Você pode conseguir informações atualizadas sobre horários e valores aqui.

Rua do Porto

Rua do Porto (Foto: Wanderley Garcia)
Rua do Porto: destaque para as casas antigas e restaurantes (Foto: Wanderley Garcia)

Chegando à Rua do Porto, aprecie as pequenas casas de pescadores e operários do início do século passado. Algumas ainda servem de moradias. Outras abrigam restaurantes. O prato principal é o peixe no tambor. Você pode saber mais sobre a Rua do Porto nesta página.

Se depois desta caminhada, de degustar o peixe no tambor com cuscuz e salada, bebericar e tomar um sorvete, você ainda tiver disposição, não deixe de ir ao Parque da Rua do Porto. É uma extensa área de lazer para caminhada, prática de esportes e pedalinho no lago artificial. Passeio que vale a pena tanto para famílias, casais e até mesmo sozinho. Logo teremos um post exclusivo sobre o parque.

Finalizando

Hora de ir embora? Se estiver cansado, o que é provável, tente uma alternativa como voltar de ônibus, táxi ou motorista por aplicativo. Mas se ainda tiver disposição, faça o caminho de volta por lugares diferentes. Uma alternativa é subir pela margem direita do rio, passando por dentro do Engenho Central. Vai descobrir ainda paisagens que valem muito a pena serem vistas.

2 COMENTÁRIOS

  1. Fiz esse roteiro por partes, nas três vezes em que estive em Piracicaba.
    A Rua do Porto é o local ideal para comer um excelente pintado na brasa, e tomar um suco de laranja batido com gelo que é espetacular.Até aprendemos a fazer em casa, e o batizamos de “O suco de Piracicaba”.Mas, o bom mesmo, e tomá-lo lá, na beira rio, no quiosque no Nenê.
    A última vez que lá estive foi para ir na Festa do Milho, no bairro rural de Tanquinho.
    Ainda quero voltar a Piracicaba, pois quem vai uma vez, vai querer ir sempre.
    Aooo, Piracicaba que eu adoro tanto!

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