A aura de Diamantina: beleza e dor na serra

Diamantina (Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)
Diamantina (Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)

Um beijo
de amantes
Um brilho
diamantes

Diamantina tem uma serra. E tem mais. Tem uma beleza só dela. Diamante lapidado no espinhaço das gerais. Diamante de riqueza única que quem conhece não esquece. Jamais.
Não sei dizer o que mais me encanta em Diamantina. Acho que é o conjunto da obra, construída a muitas mãos. Primeiro pela natureza, no capricho da serra que nos acompanha aonde quer que vamos. Mas tem as mãos humanas. O barroco português trazido pra cá formado pelo barro amassado com o sangue negro escorrido sem piedade, que empapou aquela terra de horror e de beleza.

Diamantina (Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)
Diamantina (Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)

Dali se reconhecem dois heróis nacionais. Chica da Silva e Juscelino Kubitschek. JK, o branco pobre que virou doutor, governador e presidente, ganhou uma estátua. Chica, negra que se fez senhora, tem sua história preservada na casa em que viveu. Mas há muitos outros heróis desconhecidos que nasceram, viveram e morreram na encantadora cidade. Seus restos mortais são as fachadas dos casarões, as pedras dos calçamentos, as torres das igrejas.

Diamantina (Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)
Diamantina (Foto: Wanderley Garcia / Da Janela)

O café da manhã cultural é uma delícia à parte. Com quitutes para experimentar (e comprar se quiser levar pra casa), acompanhados de música popular, todo domingo pela manhã. Na estreiteza da rua do comércio, há uma vida que se alarga no encontro dos nativos com os turistas deslumbrados.
Os olhos esbugalhados dos visitantes encontram seus pares nas estatuetas moldadas no barro do Vale do Jequitinhonha. Impossível não levar pra casa aquela argila transformada em arte tão brasileira, tão mineira, tão do povo.

Diamantina (Foto: Gloria Cavaggioni / Da Janela)
Café da manhã cultural em Diamantina (Foto: Gloria Cavaggioni / Da Janela)

Diamantina tem uma aura, que emana da terra como aquelas infinitas pedras rasgando o solo e que avisam o tempo todo: você está em Minas. Aqui tem doce, tem beleza, tem música, mas não há como escapar, tem também o espinhaço. Em Diamantina, a dor do passado se faz beleza presente.

 

 

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